zumbisrussos: as garrafas de vinho que coloco estrategicamente no canto da cozinha as minhas decisões aleatórias de tentar bater um bolo às duas da manhã a forma como o porteiro me pergunta sempre que saio pro trabalho se esqueci meus olhos e se quero um pouquinho de café. virar a conde de bonfim sempre pensando que na próxima vez eu compro um cacto pra deixar no escritório minha tremedeira de entrar no metrô porque eu ainda tenho medo depois de todos esses anos a consistência de pensar em você e de lembrar de você embora sua lembrança seja uma parte carregada de culpa na minha vida. é que eu cruzei muitas esquinas pela tijuca pra te encontrar, pra ter a chance de passar a ponta do dedo pelas suas costas e chorar pelo amor que você não me dava e saber que eu nem poderia ficar, que a sua namorada ia chegar e que era pra você que eu estava entregando toda minha serpente de vida dos meus vinte e um anos. e você não merecia, você nunca mereceu. lembrar de você pra entender o quanto de fato o tempo ensina. pra aceitar que a gente erra e não necessariamente me perdoar por ter errado, mas me perdoar por todas as compreensões distantes que eu tive do que era bom e o que não era. sofrer mexe com a gente. e eu sofria antes de você, acabei não me incomodando em sofrer por você. acabei fazendo comigo o que você fazia. acabei me esquecendo como você fazia. acabei comigo como você fez. o meu amor foi tão puro, gustavo, ainda que nós não fôssemos. eu queria acreditar que a gente redescobre amor toda vez que cruza os olhos com alguém e que eu havia descoberto o nosso, mas você queria alguém pra se distrair. eu queria alguém pra devastar. de um jeito ou de outro, foi exatamente isso o que você fez.