Me sinto só. Terrivelmente só. Sentado no centro de uma mesa retangular com meus doze apóstolos, meus olhos permanecem fixos ao chão enquanto a frieza encontra meus dedos que machucam minhas unhas. Escuto ao meu redor conversas distantes, risadas tão alegres e segredos compartilhados: mas eu não estou neles. Uma memória longínqua é levada a realidade e todos voltam a rir, encantados, como se minha presença ali de nada valesse. Engulo a seco, balanço a cabeça e tudo o que tenho comigo são lágrimas pesadas presas em um pesadelo. Me pergunto quando foi que nesta santa ceia, eu fui terrivelmente traído e abandonado. Estou só, mesmo que atordoado de pessoas, mesmo que imerso na felicidade. Terrivelmente e completamente só.