Meu jovial marinheiro, devo te dizer que por aqui não muito restou além de mim. As ondas continuam tão hipnóticas quanto meu canto que para ti foi, me dói pensar que agora não possa mais sentar-se ao meu lado para que admiremos juntos o como elas quebram tão violentamente ao cair da noite. Suas lamúrias não me serviram como conforto, e minha libertinagem também não te foi um afago. Não é como se idealizássemos que tivesse sido, tudo tinha de ter sido exatamente como foi, é assim que penso.
Mirar o horizonte tão vago e pacato me tranquiliza, hei de bem viver a ver navios, mas não vê-los tem me revigorado ao longo de todos esses anos. Suas embarcações não retornaram, seus companheiros não te procuraram, às vezes me sinto uma boa vilã por ter aqui te mantido. Tudo que nos restam são lembranças na quina deste velho e ínfimo diário, avivá-lo não me é mais um desejo e nem sequer um obstáculo, talvez uma virtude. Ler nossas histórias vazias não ornam mais com meu belo canto, mais se parece que estou a me calar ao me deparar com tamanha decadência.
Mas há um bom ponto: o riso que deixo escapar com a recordação de teus olhos desesperados enquanto tentava desvendar o que eu presumia. E pensar que um dia tão bem eles me leram, deve ser esse o meu trunfo, não oferecer mais linhas a serem lidas quando não me for mais favorável. E você deveria ter aprendido a lê-las mesmo quando foram severamente apagadas, navegante. Vivemos por tanto a velejar, me viste tantas vezes a descamar e fora incapaz de perceber que aquela era só mais uma ressaca, ondas altas e maré alta. Tempo de pesca. O infinito que carregou consigo até seu último suspiro era minúsculo e seleto perto da minha imensidão, incomparável o mar que mergulho com o raso que tu era, e para mim, foste somente uma medíocre caçada.
Mirar o horizonte tão vago e pacato me tranquiliza, hei de bem viver a ver navios, mas não vê-los tem me revigorado ao longo de todos esses anos. Suas embarcações não retornaram, seus companheiros não te procuraram, às vezes me sinto uma boa vilã por ter aqui te mantido. Tudo que nos restam são lembranças na quina deste velho e ínfimo diário, avivá-lo não me é mais um desejo e nem sequer um obstáculo, talvez uma virtude. Ler nossas histórias vazias não ornam mais com meu belo canto, mais se parece que estou a me calar ao me deparar com tamanha decadência.
Mas há um bom ponto: o riso que deixo escapar com a recordação de teus olhos desesperados enquanto tentava desvendar o que eu presumia. E pensar que um dia tão bem eles me leram, deve ser esse o meu trunfo, não oferecer mais linhas a serem lidas quando não me for mais favorável. E você deveria ter aprendido a lê-las mesmo quando foram severamente apagadas, navegante. Vivemos por tanto a velejar, me viste tantas vezes a descamar e fora incapaz de perceber que aquela era só mais uma ressaca, ondas altas e maré alta. Tempo de pesca. O infinito que carregou consigo até seu último suspiro era minúsculo e seleto perto da minha imensidão, incomparável o mar que mergulho com o raso que tu era, e para mim, foste somente uma medíocre caçada.