Desde muito cedo fui obrigado a sobreviver sozinho neste mundo, pois minha mãe era uma mulher que vivia sob efeitos de drogas e o meu pai um beberrão nojento e agressivo.
Durante toda minha infância convivi com surras, brigas e gritos constantes. Vivenciei as inúmeras brigas sangrentas entre meus pais tentando ao máximo ficar longe de qualquer problema pois tinha medo de acabar apanhando por qualquer mínima ação.
E por falar em medo esse era o sentimento que mais me acompanhava. Na escola era o garoto esquisito que não se misturava, até abandonar os estudos para trabalhar.
Às vezes pedia esmolas na rua e às vezes vendia itens furtados pra conseguir ao menos a refeição daquele dia, era assim que eu vivia.
Em um bairro da periferia no interior da França, em um barraco improvisado que não possuia energia elétrica nem água encanada. Por vezes, além das surras que levava em casa, apanhava nas ruas por estar roubando, me tornei um ladrãozinho conhecido no bairro e conforme ia crescendo a minha ingressão no mundo da criminalidade foi inevitável mas não por acaso...
[...]
Um barulho estridente da porta sendo aberta a pontapés anunciou a chegada de três homens armados e enfurecidos. O garotinho correu para se esconder atrás de alguns entulhos no canto do quarto temendo pela própria vida.
- seus desgraçados, cade a porra do meu dinheiro? Em?
Ouviu um dos ombros esbravejar e quando tentou espiar pela fresta da parede viu o homem desferir um chute com toda força contra seu pai que caiu na mesma hora no chão e em seguida viu sua mão ser arrastada pelos cabelos e jogada sobre o chão ao lado de seu pai. A mulher chorava com as mãos pro alto em rendição e o homem tinha uma expressão assustada se ajoelhando aos pés do homem à sua frente.
- Jeff... Por favor, e-eu vou te pagar, eu juro, eu to trabalhando e-
O cara portando uma arma riu incrédulo e antes que meu pai pudesse completar a frase uma coronhada foi desferida com toda força em seu rosto o fazendo cair mais uma vez sobre o chão sangrando pelo corte feito com a força do impacto.
- você acha que eu sou algum idiota? Já faz mais de um ano que você diz que vai me pagar e eu não recebo nenhum real, filho da puta! - o homem vociferou e se abaixou agarrando o outro pelos cabelos o fazendo erguer o rosto colocando a arma na lateral de sua cabeça - Eu avisei pra vocês que se não me pagassem até hoje vocês iriam pagar com a vida, e ao contrario de você, eu cumpro com o que falo.
O homem falou em tom baixo entre dentes e empurrou a cabeça dele se levantando e engatilhando a arma. O homem começou a chorar desesperadamente implorando para que não o matasse, mas Jeff apenas apontou a arma para sua cabeça com uma postura imponente.
- já está na hora de você ir pro inferno!
Um tiro foi disparado e eu estava tão em choque e apavorado que não conseguia me mover, meu corpo inteiro tremia e uma lágrima escorreu sem que eu ao menos piscasse.
- não, por favor, eu faço qualquer coisa por fav- outro disparo e mais um corpo ao chão
Eu me encolhi ainda mais no canto da parede temendo ser o próximo mas ao fazer isso a tabua solta que me escondia caiu fazendo um baita barulho o que alertou os dois homens que vinheram instantaneamente onde eu estava. Eu senti como se meu coração fosse explodir assim que os vi não conseguindo mexer um único músculo.
- Jeff, tem uma criança!
- o que ? - o homem saiu de onde estava parando na porta e me olhando. Ele deu um risinho incrédulo e sinalizou com a cabeça pro seu comparsa assim que os outros dois saíram, o homem chamado Jeff se guardou a arma que tinha em sua mão e se aproximou - ai mulek, você mora aqui?
Por mais que eu quisesse responder, nenhum mísero musculo do meu corpo me respondia meus comandos e o homem a minha frente suspirou impaciente.
- olha, se não quiser morrer que nem seus pais, é melhor esquecer tudo que viu aqui, entendeu? - eu engoli a seco e balancei a cabeça em afirmação sentindo o pavor embrulhar meu estômago. - bom garoto!