você um dia foi meu, não foi?
a fumaça do cigarro e os meus olhos repletos de lágrimas que já se precipitam e caem, como se não temessem a morte. eu me sinto meio estelar diante da análise quase clínica do seus olhos. sabe, meu amor, eu não fui feita para egoísmos comuns. eu digo e oro por entregas que saibam que pertencer é só mais uma ilusão literária, eu digo e oro sem promessas por alguém que fique comigo somente enquanto quiser ficar e foi assim que você partiu, não foi? por não querer mais. e eu chorei tanto, sabe? eu ainda choro. eu ainda choro por nós dois. mas
você foi meu um dia, não foi? e
vezes eu sinto que ainda é. cê ainda cabe aqui mas eu não sou capaz de prender nada. ou te deixar. não, eu não quero te deixar. você me fez sobreviver. é disso que meu amor por você é feito: de doses de sobrevivência. acho que isso é o mais bonito que eu consigo fazer essa noite. te amo como uma dor que eu não posso sanar. você é minha doce tragédia preferida.