Parte 1.2
Virologia Como Ideologia: uma Crítica à Pseudociência da Classe DominanteT. Mohr
(original
aqui)
(tradução:
t.me/AntiTecnofascismo)
(início da Introdução (Parte 0)
aqui)
(início da Parte 1
aqui)
Todos os marxistas reconhecem que o capitalismo foi, a princípio, um objeto de rigoroso estudo pelos capitalistas e seus dependentes, que precisavam fazer sentido do modo de produção que haviam criado. No entanto, quanto mais clara a imagem que eles permitiam ser produzida, maior o perigo que aquela mesma análise representava para eles próprios. Dessa forma, como observou David Fernbach, tradutor do
Capital, “após 1830, o fato inegável da luta de classes dos trabalhadores industriais fez com que a ciência econômica burguesa se retirasse das suas próprias descobertas científicas anteriores, levando à ascensão do economismo vulgar.” [2] Então, o projeto de Marx no
Capital, como o próprio título enfatizava, era “uma
crítica à economia política”. Nessa obra, Marx mostrou que esse campo de pensamento, que se apresentava como uma ciência e era entendido como tal, na verdade era principalmente um meio de
ofuscar a realidade para justificar e defender o domínio do capitalismo. Acima de tudo, a economia política fazia com que a riqueza produzida pelos trabalhadores e apropriada pelos capitalistas parecesse um produto do próprio capitalismo (gerado graças à sua especial engenhosidade, à abstinência etc.). Na verdade, apesar de o termo “economia política”, curiosamente, ser agora muitas vezes mal utilizado por acadêmicos “marxianos” para mostrar que estão promovendo uma abordagem mais holística de algum assunto, no tempo de Marx o termo se referia simplesmente àquela área da (pseudo)ciência burguesa que, atualmente, é conhecida como “economia”.
Para colocar de maneira simples: as teorias científicas têm valor de uso para a classe dominante, possibilitando-lhes manipular não apenas o mundo, mas também
os outros — convencê-los de que a ordem atual das coisas é justificável ou, no mínimo, inevitável. Nesse aspecto, a ciência funciona como uma
ideologia.
Lewontin argumenta que, com o desfavorecimento do cristianismo que se seguiu à Revolução Francesa, o determinismo biológico tomou o seu lugar como a ideologia legitimadora mais crucial para o domínio da classe capitalista. De fato, é digno de nota que formas rudimentares da “doutrina do DNA” darwiniana tenham surgido antes mesmo de que as teorias específicas de Darwin fossem estabelecidas. A literatura do século 19, desde
O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Brontë até
Oliver Twist de Charles Dickens, passando pela série
Os Rougon-Macquart de Émile Zola, é impregnada da noção de que “o sangue vai dizer”. Os poemas de Emily Brontë, com efeito, revelam uma linha de pensamento proto-darwiniana desenvolvida de forma independente de Darwin.
(continua)
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Referências:
[2] David Fernbach, em: Karl Marx,
Capital: A Critique of Political Economy, trad. David Fernbach, vol. 2 (Londres: Penguin, 1993), prefácio, 93, nota de rodapé.