Forward from: ᅟᅟ𝙒𝘼𝙑𝙀𝙎
Me sento no chão escuro do quarto, contemplando o silêncio não apenas do ambiente, quanto o vazio que habita todo o meu ser. Sinto o meu peito gelado, como se uma compressa de água fria estivesse contra este, e em razão disso todo o meu corpo estivesse frio. Junto ao chão, sou parte da mobília do quarto ou, praticamente, inexistente.
Talvez um óleo fosse útil para tentar aquecer o meu peito, mas percebo que mesmo esfregando a derme, as chances de aquecê-lo são baixas. O problema não está no exterior - como sempre. O que é uma pena.
Com tal constatação, não evito uma risada. Um pequeno sorriso desponta dos meus lábios, enquanto os olhos fitam o nada, cientes de tudo que acontecia antes, durante e depois.
É natural de mim repetir as palavras, os momentos e os sentimentos. Talvez por isso eu os conheça bem.
Tento tocar, inutilmente, o vazio no meu peito.
Posso sentir a minha mão afundando neste, quase como se pudesse entrar para dentro de mim mesmo.
E, nesse instante, a risada se torna a mais pura seriedade. Os olhos, enfim, ficam úmidos, mas nenhuma lágrima cai.
Nessa altura do campeonato, é quase impossível chorar.
Encaro a minha mão na penumbra.
O que poderia haver, de tão especial, nessa ausência de sentimento?
De que maneira eu poderia fazer... Voltar a vida, a ter som?
Estou tão acostumado a viver no mudo.
Seguro a minha própria mão com a outra, as aperto e, por fim, me abraço.
Toco a mim mesmo na minha própria escuridão.
E digo...
Tenha paciência contigo mesmo, meu amigo.
Até o universo pode ter surgido de um vazio.
Até o vazio é algo, afinal.
Talvez um óleo fosse útil para tentar aquecer o meu peito, mas percebo que mesmo esfregando a derme, as chances de aquecê-lo são baixas. O problema não está no exterior - como sempre. O que é uma pena.
Com tal constatação, não evito uma risada. Um pequeno sorriso desponta dos meus lábios, enquanto os olhos fitam o nada, cientes de tudo que acontecia antes, durante e depois.
É natural de mim repetir as palavras, os momentos e os sentimentos. Talvez por isso eu os conheça bem.
Tento tocar, inutilmente, o vazio no meu peito.
Posso sentir a minha mão afundando neste, quase como se pudesse entrar para dentro de mim mesmo.
E, nesse instante, a risada se torna a mais pura seriedade. Os olhos, enfim, ficam úmidos, mas nenhuma lágrima cai.
Nessa altura do campeonato, é quase impossível chorar.
Encaro a minha mão na penumbra.
O que poderia haver, de tão especial, nessa ausência de sentimento?
De que maneira eu poderia fazer... Voltar a vida, a ter som?
Estou tão acostumado a viver no mudo.
Seguro a minha própria mão com a outra, as aperto e, por fim, me abraço.
Toco a mim mesmo na minha própria escuridão.
E digo...
Tenha paciência contigo mesmo, meu amigo.
Até o universo pode ter surgido de um vazio.
Até o vazio é algo, afinal.